A equipa perdedora, mas que mais luta deu! Valeu-me um tiro na perna a menos de 1 metro de distância, ou seja, dor intensa!A visita à vila de Porto Covo!
A equipa perdedora, mas que mais luta deu! Valeu-me um tiro na perna a menos de 1 metro de distância, ou seja, dor intensa!Uma das cinco chamadas diárias para a reza:
"No panic, no panic" (um taxista nas ruas de istambul no momento em que estávamos a temer pela nossa vida), "very good, very nice" (o homem do primeiro restaurante que só tinha um prato para nos oferecer que era very good very nice), "10 liras and a kiss" (um gajo no grand bazar), "Yussuf" (o nosso eterno amigo do dervish cafe), "fomos comidos" (a frase mais dita pelos portugueses que por lá encontrámos),... Ficam as fotos e as memórias, e a certeza de um dia lá voltar! A cidade é gigantesca, e apesar de termos visto tudo (ou quase tudo) ficou ainda muito por conhecer.
Nem acredito que já fazes 17 anos...! Continuo a ver-te como se tivesses 10. Mudo de canal quando vou parar a um filme com bolinha vermelha. Digo-te para não abrires a porta a estranhos e para trancares a porta. Alerto-te para teres cuidado a atravessar a estrada e para não aceitares nada de estranhos... Parece que cresceste...
Frequentemente. Vivo novamente. A casa que jaz junto ao cruzamento e que um dia foi transformada noutro corpo. A casa de banho que começava e terminava na cozinha. Os quartos onde repousava a máquina de escrever. A lareira quase ou nada utilizada. O búzio. As escadas que se transformavam num escorrega. O palco. As balizas. O quarto sem janela. A lareira. A casa de banho inundada em aranhas. Os coelhos. As galinhas. A casa das bicicletas. Em sonhos. Só em sonhos.
am mortes próximas.
Até hoje ainda não se percebeu a razão. Talvez a estrutura do corpo ou até mesmo a imaginação inquietante. Aliás, acredita-se nisso. Não se crê nos argumentos de alguém, que considera serem coisas de outro mundo. Ainda se consegue lembrar. Mais correctamente, não se consegue esquecer. É difícil precisar quando tudo começou, apenas é possível afirmar que não acabou e provavelmente nunca terminará. Durante uns anos não houve uma noite de paz e sossego. A noite atormentava-lhe. O escuro enfraquecia-lhe. Via pessoas. Via vultos. Sentia-os. Apenas conseguia descansar ao amanhecer ou quando dormia acompanhada. Ao fim de tantos anos, foi delineada uma estratégia: nunca abrir os olhos no escuro. Ainda hoje o faz. Esse hábito entranhou-se no seu modo de vida. Será que era tudo imaginação de uma criança de 4 anos, anoréctica e com convulsões frequentes? Ou será, como “diagnosticou” uma vidente eborense, vingança de pessoas que odiavam a sua família? Só há poucos anos conseguiu descoser a almofada que trazia consigo santas e orações para espantar as pessoas que lhe queriam mal. Durante muitos anos dormiu com essa almofada. Diminuiu, é verdade. Há muitos anos que a sua visão não alcança pessoas na penumbra. Mas o medo, esse continua presente. É expressamente proibido pensar neste assunto antes de adormecer. O seu coração começa a bater muito depressa, e todos os seus sentidos despertam como se estivessem à espera de alguém. Este é um trauma do qual tenho dúvidas se algum dia conseguirá escapar.Sinto que voltei a ser eu. As minhas tatuagens lunáticas nunca estiveram tão visíveis, mesmo por baixo da roupa. Deixei de as esconder. As...