segunda-feira, agosto 06, 2007

Medo

Até hoje ainda não se percebeu a razão. Talvez a estrutura do corpo ou até mesmo a imaginação inquietante. Aliás, acredita-se nisso. Não se crê nos argumentos de alguém, que considera serem coisas de outro mundo. Ainda se consegue lembrar. Mais correctamente, não se consegue esquecer. É difícil precisar quando tudo começou, apenas é possível afirmar que não acabou e provavelmente nunca terminará. Durante uns anos não houve uma noite de paz e sossego. A noite atormentava-lhe. O escuro enfraquecia-lhe. Via pessoas. Via vultos. Sentia-os. Apenas conseguia descansar ao amanhecer ou quando dormia acompanhada. Ao fim de tantos anos, foi delineada uma estratégia: nunca abrir os olhos no escuro. Ainda hoje o faz. Esse hábito entranhou-se no seu modo de vida. Será que era tudo imaginação de uma criança de 4 anos, anoréctica e com convulsões frequentes? Ou será, como “diagnosticou” uma vidente eborense, vingança de pessoas que odiavam a sua família? Só há poucos anos conseguiu descoser a almofada que trazia consigo santas e orações para espantar as pessoas que lhe queriam mal. Durante muitos anos dormiu com essa almofada. Diminuiu, é verdade. Há muitos anos que a sua visão não alcança pessoas na penumbra. Mas o medo, esse continua presente. É expressamente proibido pensar neste assunto antes de adormecer. O seu coração começa a bater muito depressa, e todos os seus sentidos despertam como se estivessem à espera de alguém. Este é um trauma do qual tenho dúvidas se algum dia conseguirá escapar.

segunda-feira, julho 30, 2007

Ready or not

Uma lua iluminando amores impossíveis. Uma sombra sobrevoando amores quase perfeitos. Quando o luar se esvanecer e a sombra se transformar na névoa transparente. Só assim é possível. A sombra numa noite de luar é difícil de sustentar, de se mover, de se fazer ver. Só alcançam a felicidade em separado. É disso que continuava à espera. Mas não posso esperar mais. A sombra é dependente de mim. Só existe se eu quiser. Só sobrevive se eu o permitir. E a lua pode desaparecer. Pode-se camuflar na noite, alheia a tudo e a todos. Pode extinguir tudo aquilo que ilumina como se de cinzas se tratasse. Cinzas. É isso. As cinzas.

quarta-feira, julho 25, 2007

Sou

Sem dúvida a lua tem um papel bastante importante na minha vida. Teve, tem e certamente terá. Sem a sua influência teria o mesmo comportamento diariamente. A minha vida seria muito monótona. Não teria estas oscilações de humor e comportamentais tão características em mim, que por vezes pode criar nas outras pessoas a sensação de que tenho duas faces.
Tudo o que quiserem saber sobre o passado é só perguntarem. Tenho uma memória de elefante. Lembro-me de tudo com todos os pormenores. A minha ligação com o passado é bastante forte. Guardo todas as recordações. Mesmo que possam parecer ridículas. Todos os principais momentos da minha vida estão arquivados algures numa arca. Talvez por isso tenha dificuldade em superar marcas do passado. Porque nunca me desligo dele.
A imaginação alimenta-me o futuro. O meu espírito criativo é notável. Sonho o que já aconteceu, aquilo que ocorre no meu dia-a-dia e o que um dia irá surgir na minha vida. Sonho, sonho, sonho a cada instante. É uma forma de navegar na realidade por uns momentos. Mas por outro lado posso sofrer decepções. Afinal aquilo que tanto sonhei antes de adormecer, não aconteceu e provavelmente nunca haverá oportunidade de se realizar.
Em relação ao presente procuro sempre o conhecimento, a evolução, a perfeição. Talvez por isso não tenho facilidade na vida sentimental. Desejo sempre o ideal.
“Carapaça dura, coração doce”. É difícil que as pessoas me conheçam. Para isso é preciso que eu permita. Utilizo uma espécie de fortaleza que não é fácil de ser ultrapassada. Muito em parte devido à minha desconfiança, e por vezes à minha timidez. Não é qualquer pessoa que me conheça bem. Aliás de todos os amigos que tenho posso listar menos de 5, aqueles que me conheçam na perfeição.
Sou bastante intuitiva, já que utilizo os meus sentidos a 100%. Exploro-os até ao limite. A visão (por vezes distorcida, é certo), a audição e o olfacto, são os mais apurados. Talvez por isso seja muito sensível ao ambiente externo. Tenha dificuldade em controlar as emoções e os sentimentos. Me conceda a mim própria mais tempo para me adaptar a novos ambientes.
Como me costumam dizer “ando sempre de antenas no ar”. Sou bastante atenta. Sei sempre tudo o que se passa à minha volta. Mas de contraste sou uma desorientada. Se me indicarem o caminho de ida, também necessitam de me indicar o de volta. É a melhor maneira de se livrarem de mim. Colocarem-me num local que não conheça e não me dizerem como saio de lá. Não sei porquê. Será porque foco a minha atenção em coisas sem importância? Ou porque nem sequer foco a atenção em lado nenhum?
Um dos meus maiores defeitos é ser preguiçosa. Bastante, para ser sincera. Muitas vezes não faço determinadas coisas só porque não me apetece fazê-las, mesmo que seja importante. Por exemplo, se não tivesse ninguém que me preparasse o jantar, não teria paciência para cozinhar todos os dias. Ou encomendava ou simplesmente não comia.
Orgulhosa e teimosa. Faço todos os possíveis para mostrar que tenho razão naquilo que digo e naquilo que faço. Quando descubro que afinal não tenho razão, nem quero ouvir falar no assunto. Para dar o braço a torcer sou do piorio. Primeiro tenho de exaustivamente me mentalizar que a razão não está do meu lado.
Não sou muito de palavras. Quer dizer quando conheço as pessoas sou uma tagarela. Mas na verdade não se pode dizer que sou uma pessoa extrovertida. E sei que transmito isso para as outras pessoas. Mas que hei-de fazer?
Gosto das pessoas. Gosto da sua cultura. Gosto de fotografia. Jornalismo. Fofocas. Mistério. Noite. Alentejo. Família. Dançar. Cantar. Dormir. Comer. Escrever. Futebol. Ping Pong. Viagens. Pobreza. Ler. Crianças.
Não gosto da religião. Não gosto da mentira. Estereótipos. Racismo. Trabalhos domésticos. Correr. Conduzir. Cremes para isto e para aquilo. Futilidade. Barcos. Arrogância. Médicos.

quarta-feira, junho 27, 2007

Canção célebre

Mesmo ao cimo do montado
no ponto mais elevado
havia um enorme sobreiro.

E de todos era a cobiça
ao dar bolota e cortiça
no montado era o primeiro.

Mas num dia de tempestade
ouviu-se soar na herdade
o ribombar de um trovão.

E no céu uma faixa risca
e uma enorme faísca
fez do sobreiro em carvão.

E agora
no mesmo sítio lá mora
um chaparro altaneiro.

Que em noites de luar
houve o montado a chorar
com saudades do sobreiro.

E é assim a nossa vida
constantemente vivida
quase sempre a trabalhar.

E quando um dia a morte vem
cá deixamos sempre alguém
com saudades a chorar.

terça-feira, junho 26, 2007

Porquê?

"Quem ama de verdade, ama em silêncio, com actos e nunca com palavras."
Ao fim de tantos anos...! Será paranóia?! Estarei a dar em doida?!

sexta-feira, junho 22, 2007

O perfil de compositoras

Vida Alentejana
A vida no Alentejo
é uma injustiça
as pessoas trabalham muito a cortar e a fazer cortiça.
O Inverno no Alentejo
as pessoas fazem a lareira
para assar e comer
a rica farinheira.
Nas quintas do Alentejo
há muitos animais
desde o porco
até aos pardais.
No Alentejo
o sol brilha todo o dia
as crianças brincam muito
com o coração cheio de alegria.
Alentejo saudável!
A criança
A criança quando é bebé
aprende a andar, falar, brincar, dançar, cantar
e a cantar.
A criança quando cresce
às vezes é traquina
parte tudo à sua mãe
e fica só com a Nina (a boneca).
Depois quando é adolescente
anda sempre ocupada
anda sempre a estudar
e depois não faz mais nada.
A criança quando é bebé
aprende a andar, falar, brincar, dançar, cantar
e a cantar.
Depois quando é velhinha
fica sentada no seu cadeirão
a ler o jornal, jornal, jornal.
As crianças pobres
Algumas crianças
são órfãs de pais
não conhecem o mundo
as pessoas e os animais.
São pobres, são pobres
é uma tristeza
não têm comida
é mesmo a pobreza.
Essas crianças não recebem prendas
nos Natais
e mesmo assim
dormem nos olivais.
Não têm comida
não têm animais
não têm ajuda
nem mesmo os pais.
O cavalo
Nós temos um cavalo
que é muito mansinho
gosta muito de brincar
com o seu filhinho.
O nosso cavalo
come muita palha
de dia e de noite
e não nos deixa fazer a malha.
O cavalo é castanho
tinha o rabo preto
e a cor do seu filhinho
era igual à de um cabritinho.
O cavalo era bonito
e era muito forte
um dia apareceu
uma égua que lhe deu a sua sorte.
Por Lena, Laura e Mafalda
Algures em meados da década de 90
Escoural

quarta-feira, julho 12, 2006

Dizem que tem a ver comigo

Só pra dizer que te amo
Nem sempre encontro o melhor termo
Nem sempre escolho o melhor modo

Devia ser como no cinema
A língua inglesa fica sempre bem
E nunca atraiçoa ninguém

O teu mundo está tão perto do meu
E o que eu digo está tão longe
Como o mar está do céu

Só pra dizer que te amo
Não sei porque este embaraço
Que mais parece que só te estimula

E até no momento em que digo o que não quero
E o que sinto por ti são coisas confusas
E ate parece que estou a mentir

As palavras custam a sair
Não digo o que estou a sentir
Digo o contrário do que estou a sentir

O teu mundo está tão perto do meu
E o que eu digo está tão longe
Como o mar está do céu

E é tão difícil dizer amor
É bem melhor dize-lo a cantar
Por isso esta noite
Fiz esta canção

Para resolver o meu problema de expressão
Para ficar mais perto, bem mais de perto...
Para ficar mais perto, bem mais de perto...

quinta-feira, julho 06, 2006

Versos de Florbela Espanca

Não digas adeus!
Abranda mais o ritmo dos teus passos,
sente o perfume da paixão antiga,
dos nossos bons e distantes abraços!

Carta a gozar para gente convencida

Ai Edu, Edu!
O que eu suspiro por ti todos os dias…
Desde o Natal que te cuidas melhor e eu olho para essas tuas mudanças de visual com esperança que elas também se dêem no teu coração e que olhes para mim algum dia. E esse dia será para mim o melhor de toda a minha vida.
As tuas belas botas pretas que te ficam maravilhosamente bem e as tuas calças de ganga que tocam em quase toda a superfície do teu esbelto corpo deixam-me sem respiração. E se passo ao teu lado desejo que alguém me faça uma rasteira e eu caia em teus fortes braços e possa cheirar o teu delicado aroma. E no dia em que, por fim, terei a honra de estar nos teus braços te declararei o amor que sinto por ti. É algo indescritível e indestrutível. Desejo-te com toda a força do meu ser.
É rara a noite em que contigo não sonho. E os sonhos que tenho contigo… suspiro pelo dia em que os poderei pôr em prática. Só contigo, meu amor.
Quando tu fores meu e eu for tua passaremos horas extraordinárias que nunca iremos esquecer. Quero beijar-te, sentir-te parte de mim.
Que poderei fazer para que isso aconteça? Esperar resignadamente é a única solução.
Anseio loucamente pelo dia em que me dirigirás o olhar, um sorriso, uma palavra.
E quando fores meu serás para todo o sempre porque eu não te deixarei fugir.

quarta-feira, julho 05, 2006

Onde estamos?

É tudo como uma toupeira, por mais que tentarmos impedir a sua passagem, ela vai sempre aparecer noutro lado. Quanto mais tentamos esquecer uma coisa, mais pensamos inconscientemente nela. O que estará mais correcto: se giramos em torno de tudo ou se tudo gira em torno de nós?

segunda-feira, junho 19, 2006

Frases que ficam na memória

- "Abraça-me Miguel" (Louura em Lloret...ainda se está por descobrir se isto é verdade, ou se foi invenção do Miguel)
- "Depois da cena que me disseste ontem não estava minimamente à espera que me ligasses" (uma tia que ia a falar ao telemovel)
- "Lembraste quando trabalhávamos naquela cena dos livros? Éramos tão novos!..." (uns que estavam a comentar na Feira do Livro da Amadora)
- "Fui expulsa do meu próprio quarto!" (Veran, numa visita do clube a Mérida)
- "Sou uma cadelinha atrás de vocês" (Andreia)
- "Estou apanhada por ti!" (Ângela, a um tal de Nelson)
- "Hoje vens toda azul!" (Macau)
- "Olá, eu sou a Inês,...vou-me embora" (Louura, em Sesimbra)
- "Que fique bem claro que eu te odeio" (uma pessoa k não gosta mm nd de mim)
- "És uma personagem" (Nene)
- "Posso saber o teu nome? Não!!" (a mha perseguição em LLoret)
- "É um borracho!" (a minha mae para um gajo nada de especial)
- "He's perfect!" (para mim o homem perfeito)
- "A piscina tem muito calcário! Não é nada, é cálcio" (Laura, e a minha brilhante resposta)
- "Ursinho de peluche da nívea" (JP para a Louura)
- "Humidade seca" (Patricia)
- "Yo soy paraguayo y estoy aquí para comer tua mujer. Pra kê? Para guaio!" (Tobias...a Ângela continua sem perceber a piada ao fim de tantos anos!)
- "Fui comprar o Ética para um Jovem à farmácia" (Patrícia, de pois de a prof de filosofia, no gozo, ter mandado o pessoal ir comprar o livro à farmácia)
- " As notícias não correm depressa, os interessados é que correm atrás delas" (Thi)
- "O meu mede 6cm, mas quando penso em ti vai aos 12cm" (oh god, é mlhr nem dizer kem é...por causa da reputaçao)
- "Trataste-me como um cãozinho" (xiii...coisas parvas k me dizem)
- "E depois de tudo isto vem a prostituição" (eu, à porta da embaixada, no meio de uma conversa sobre Erasmus)
- "Fui de barco da Madeira ao Canadá" (Peixoto)
- "Os meus tios têm aqui terrenos em Sesimbra" (Peixoto)
- "Olá Pato Donald" (o meu pai quando cumprimentava uma pessoa mascarada de Tweety numa rua de Albufeira)
- "Cuidado ao mergulharem para não partirem o chão da piscina" (o dono de uma casa no Algarve. no coment...!)
- "Merda a merda enche o joao nuno o papo" (esta foi a altura em que me drogava...lol)

terça-feira, junho 06, 2006

Texto de Jorge Luis Borge

" Se eu pudesse viver novamente a minha vida, na próxima tratava de cometer mais erros.
Não tentaria ser tão perfeito, relaxaria mais, seria mais tolo ainda do que tenho sido.
Na verdade bem poucas coisas levaria a sério.
Seria menos higiénico.
Correria mais riscos, viajaria mais, contemplaria mais entardeceres, subiria mais montanhas, nadaria mais rios, iria a mais lugares onde nunca fui, tomaria mais sorvete e menos lentilha, teria mais problemas reais e menos problemas imaginários.
Eu fui uma dessas pessoas que viveu sensata e produtivamente cada minuto da sua vida; claro que tive momentos de alegria.
Mas se pudesse voltar a viver, trataria de ter somente bons momentos.
Porque, se não sabem, disso é feita a vida, só de momentos.
Não os perca agora.
Eu era desses que nunca ia a parte alguma sem termometro, uma bolsa de agua quente, um guarda chuva e um para quedas; se voltasse a viver, viajaria mais leve.
Se eu pudesse voltar a viver começaria a andar descalço no começo da Primavera e continuaria assim até ao final do Outono.
Daria mais voltas pela minha rua, contemplaria mais amanheceres e brincaria com mais crianças.
Se tivese outra vez uma vida pela frente...
(mas, já viram, tenho 85 anos...)"
Jorge Luís Borge

Versão anti-machismo

“Mulherengo” e “engatatão” são expressões mulherengas e engatatonas que os homens inventaram para se sentirem superiores às putas. Os homens nunca querem possuir as mulheres mas sim tê-las emprestadas. Mas as raparigas, por natureza e formação, gostam de ser independentes. E só há uma coisa preferível a ser independente – é ninguém depender de nós.

Alentejo

A planície invade-nos logo que chegamos. Passamos a olhar o longe, em distâncias incertas, como num caminhar para o sonho. Mais adiante, a vegetação espanta-nos, qual oásis já esquecido por tanto oiro do sol e da terra. Um riacho aqui, um rio acolá, entrecortam a terra rude que domina o olhar, formando por vezes lagos enormes, sob a forma de barragens. Pouco a pouco, vamos entrando na alma do Alentejo. Montes cheios de sobriedade, vilas aprumadas de branco, aldeias que acolhem fraternalmente, cidades que nos convidam a ficar.

domingo, maio 21, 2006

Brincadeiras

Quero mergulhar no azul dos teus olhos, passear nas searas do teu cabelo, chupar todos os teus dedinhos, cheirar todos os teus recantos. Quero morder o lóbulo das tuas orelhas, lamber os teus lábios carnudos, sentir o teu suor, deslizar no teu corpo tentador...

Brincadeiras II

Quando te vi pela primeira vez o meu coração parou. Como é que consegues ser assim? Deixaste-me numa angústia… Quando te vejo cresce-me água na boca, as pernas tremem-me, preciso de ti e do teu amor, minha querida bolinha.
Admiro-te de longe e sou incapaz de te dirigir palavra. Quando me deste um encontrão no bar e as nossas peles se tocaram por um momento o meu coração era um cavalo a galopar pelas planícies de Portugal. Tu nem deves ter visto quem eu era porque se passo por ti nos intervalos nem um olhar me diriges.
Adormeço todos as noites a pensar em ti, sonho contigo durante o sono e acordo a pensar que te vou ver na escola.
És uma presença permanente no meu espírito. És o astro regente da minha vida e da minha existência.
Anseio pelo dia em que merecerei um sorriso teu, uma palavra tua, um abraço teu, e tudo o mais que me quiseres dar…
Não penses que isto é uma brincadeira porque eu estou a falar muito a sério embora não tenha coragem sequer de te olhar nos olhos.
ADORO-TE!

quinta-feira, março 02, 2006

Quem somos?

Somos o que resta do que dizemos não ser.
Gostamos do que fica depois de não fazermos todas as coisas de que não gostamos.

Carta a gozar para gente convencida II

És um Deus. És a melhor criação de todas as criações. Tu és o meu Deus, eu quero ser a tua Deusa.
Ai meu amor, amo-te como nunca ninguém te amou.

Adoro o teu andar másculo, o teu corpo divino, o teu boné maravilhoso, as tuas orelhas esculturais, a tua bela face, a tua figura imponente, a tua melodiosa voz, o teu bendito riso, as tuas finas e delicadas pernas, os teus joelhos bem desenhados, a tua pele sedosa, as tuas mãos claras, os teus dedos longos, as tuas unhas mal cortadas, o teu cheiro agri-doce, os teus olhos brilhantes, as tuas misteriosas pestanas, as tuas sobrancelhas farfalhudas, o teu rosto angelical, os teus pés enormes, o teu cheiroso cabelo, o teu longo pescoço, o teu tronco bem constituído, os teus artísticos ombros… pões-me louca …

quinta-feira, fevereiro 16, 2006

Carta a gozar para gente convencida III

Esses teus caracóis denunciam a tua doce presença no pátio da minha escola. Inquieta-me pensar que estão ao dispôr de tantos olhares e que não só para mim como que eu quero.
Tu e o Rodrigo são como duas papoilas expostas aos ventos agrestes desta nossa terra. E eu quero-vos proteger e não posso.
Vêm-me as lágrimas aos olhos quando penso que vocês dois se podem rir dos meus sentimentos. Eu acho que o que eu sinto por vocês é mais do que carinho, mais do que paixão, mais do que amor…
Dava a minha vida por vocês porque sem vocês os dois, meus amores, a minha vida deixava de ter sentido. E eu rumaria em direcção ao vácuo, para me perder nas sombras da incerteza e do desencanto. Vocês são a minha bússola, o meu Norte. A direcção da minha vida.
O que posso eu fazer? Não é de há muito tempo esta paixão assolapada que me rói e destrói por dentro mas é tão intensa como se durasse há centenas ou milhares de anos. Não sei como surgiu. Primeiro, tu, João e de seguida o Rodriguinho. Mas agora ocupam os dois um lugar central na minha vida e no meu coração.
Não é à toa que escrevo esta carta. Não me vou denunciar mas vou deixar aqui um pedido:
Eu mal falo com vocês. Cumprimento-vos e pouco mais mas, por favor, dêem-me alguma atenção não me façam esses sorrisos enigmáticos de compaixão mas um pleno de amor e paixão.

terça-feira, fevereiro 14, 2006

Dedicado a um amigo

Calor! Muito calor sinto eu por aquelas estradas de terra batida ladeadas de silvas agrestes e árvores sem cor. Ainda me recordo da última vez que por lá passei. Foi ontem, ontem à tarde. A saia prende-me os passos e o caminho parece cada vez mais longo! Já estava atrasada! Até parece bem chegar tarde. Por fim avisto-o! É inconfundível no seio daquela paisagem. Magoaste-me. Magoaste-me tanto com essas tuas mentiras. Deitaste por terra todos os meus anseios, os meus sonhos, os meus desejos. Foi naquela água loira e febril que começou o tormento, mil tormentos! E o meu coração que tu não sentes, vai boiando ao acaso das correntes, até um dia adormecer, serenamente, como dorme no berço uma criança! Mas eu de nada sabia! E continuava, devagarinho, a caminhar pelo musgo do rochedo, a provar o fruto amargo, a sentir o perfume da desilusão. Mas continuarei a vestir a doce agonia de te esquecer!...

Re-descoberta

Sinto que voltei a ser eu. As minhas tatuagens lunáticas nunca estiveram tão visíveis, mesmo por baixo da roupa. Deixei de as esconder. As...